terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ligados por besouros

Adão e Eva viviam num mundo diferente do nosso. Usavam roupas diferentes, falavam uma língua estranha.

Jesus, quando esteve na terra, certamente tinha costumes distintos dos que conhecemos. As casas eram diferentes, assim como a comida, os meios de transporte, os instrumentos musicais e as ferramentas.

Moisés acharia esquisito conviver com nossa cultura virtual ou ficar preso em um engarrafamento.

Se tudo fosse como era antes, se não tivéssemos “evoluído”, não haveria museus tentando reproduzir ambientes que se tornaram estranhos. E não ficaríamos tão admirados dentro deles, orgulhosos por conquistar tanto e por não viver mais de forma tão “ultrapassada”.

Quando olhamos para trás, quando lemos as narrativas bíblicas, poucas coisas nos ligam às histórias que lemos e que nos são tão preciosas.

Adão não conheceu a tecnologia que usufruímos. Não sabia o que era isqueiro, barbeador, microondas, escada rolante. Moisés provavelmente nunca tomou um banho quente, não andou de avião, não tinha e-mail nem máquina fotográfica para registrar todos os milagres que viu. Jesus não deve ter visto um prédio de mais de cinco andares, uma casa com teto solar ou um carro com tração nas quatro rodas.

No entanto, há algo que nos liga diretamente a eles. Adão deve ter visto as mesmas árvores que vejo hoje. As mesmas flores, os mesmos frutos, os mesmos animais.

Moisés viu o mesmo mar e sentiu a mesma maresia que sinto ao estar em uma praia.

Jesus sentiu o cheiro de terra molhada de chuva, andou por estradas poeirentas, barrentas, viu tempestades e raios, luares e pores-do-sol.

A criação nos une. É a terra que temos em comum. Pessoas tão distantes de mim também viram o verde da mata, o azul do céu e o colorido das flores que vejo e posso admirar.

Ligo-me a Adão quando contemplo um besouro, uma aranha, quando sou picada por uma formiga ou quando como uma goiaba. Ainda moro no jardim que Deus criou.

As coisas mudam -- isso é inevitável. Provavelmente meus netos não usarão as mesmas roupas que uso. Talvez não comerão os alimentos que como, e a tecnologia que hoje uso e acho tão avançada, talvez será ultrapassada para eles.

Porém, eles continuarão pisando no mesmo chão, olhando as mesmas estrelas, rodeados pelas mesmas montanhas de sempre.

É o amor de Deus perpetuado na terra. São lembretes da soberania, da imutabilidade e da ordem do Criador, que, por saber quão instáveis, inconstantes e mutáveis somos, resolveu deixar à nossa vista as marcas de seu próprio caráter.


• Paula Mazzini Mendes tem 27 anos e é membro do Exército de Salvação. Atualmente estuda no Centro Evangélico de Missões e mora em Viçosa, MG


Sem comentários: