quinta-feira, 3 de abril de 2008

Trecho extraído do livro "Bíblia, minha companheira"

Vivendo com espinhos
Philip Yancey

Paulo lança mão de uma imagem contundente – no sentido literal inclusive – quando descreve o “espinho na carne” que lhe foi posto para atormentá-lo. Embora não conheçamos os detalhes, a metáfora nos faz contorcer, pois entendemos onde ele quer chegar. Fosse o que fosse que o atormentasse, era uma provação dolorosa e contínua.

Quando estou preocupado com alguma frustração comigo mesmo ou com minhas circunstâncias, imagino o meu infortúnio como o arbusto espinhoso e busco conforto nas palavras de Paulo e do Senhor. “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. “Pois, quando sou fraco é que sou forte”
Como alguém colocou, “a graça, como a água, escorre para os baixios”. Quando me sinto mais fraco e mais preciso de ajuda, maior a liberdade do Senhor para dá-la. Quando deixo, Deus transforma minhas circunstâncias ou eu mesmo em algo bom.

Paulo escreve um dos paradoxos da vida: um espinho doloroso causando o bem? Como pode uma fraqueza minha, ou uma circunstância aflitiva diante da qual estou impotente, me causar deleite? Parece uma idéia boa, “teológica”, que jamais sobreviverá além das portas do santuário.

O escritor e palestrante Brennan Manning descobriu a verdade deste princípio depois de se tornar um alcoólico, perder casa e emprego e ir parar na rua. “Acho que o momento em que estive mais próximo da Verdade que é Jesus Cristo foi durante a experiência de viver feito um marginal sem esperança nas sarjetas de Fort Lauderdale, Flórida”.


No romance “The Moviegoer” (O cinéfilo), Walker Percy diz: ‘Só uma vez na vida não senti as amarras da rotina: deitado, sangrando, em uma vala.’ Paradoxalmente, uma experiência dessas, de tanta impotência, não entristece ninguém. É um grande alívio porque nos faz depender não de nossa força mas do poder ilimitado de Deus. A compreensão de que ele é o principal agente torna o jugo fácil, o peso leve e o coração, tranqüilo.

Cada um de nós luta contra seu espinho pessoal. Podemos excluir Deus de nossa vida e continuar fracassando ou deixar seu poder preencher a ferida interior no formato desse espinho. Quando o Senhor preenche nossa ferida, estabelece conosco um relacionamento de amor profundo e satisfatório consigo mesmo.

O deleite se converte em coisa possível. A ferida ainda causará dor; no entanto, se é preciso um espinho para me atirar nos braços de um Amante eterno, talvez eu consiga aprender a enxergar esse espinho como arauto de esperança.

O psicólogo Larry Crabb descreve a questão do seguinte modo: “Raras vezes aprendemos a depender de verdade do Senhor quando levamos uma vida confortável(...) As Escrituras são feitas de um tecido todo entremeado com o fio do relacionamento. Deus deseja que entreguemos o coração a Ele, porque nos ama. E desde que encaremos nossa sede e percebamos quem Ele é, também nós ansiamos por Ele. Nada tem de monótono o romance entre o nosso noivo celestial e sua noiva ferida mas inconstante. Quanto maior a honestidade com que encaramos seja o que for que está trancafiado em nosso interior, maior a paixão com que seremos atraídos pela beleza de um Amante que reage de maneira consistente, com toda a delicada força que nosso coração deseja.

Que espinho vem lhe causando dor? Você já pediu a Deus para removê-lo? Pediu para preencher-lhe a ferida com seu poder, substituir-lhe a fraqueza por Sua força? Converse com Ele sobre essa luta. Peça ajuda de forma a deixá-lo assumir a direção.

Extraído do Livro A Bíblia minha companheira, de Philip Yancey

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